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Como utilizar ingredientes performáticos sem se preocupar com o odor


A percepção olfativa é um ponto muito importante para a entrega de um cosmético desejável e determinadas substâncias podem influenciar no cheiro deste produto.


Os formuladores enfrentam diversos desafios para entregar um produto performático e agradável. A escolha dos ingredientes ativos dá início a uma longa jornada, em muitos casos, podendo durar quase um ano, desde a formulação até o cosmético pronto para distribuição no mercado. Isto quando o ativo desejado tem sinergia na formulação.


Para o consumidor, o uso de cosméticos que tragam resultados rápidos é um diferencial que leva à fidelização, no entanto, a experiência sensorial é de extrema importância. E novamente, temos outro desafio, a oclusão de odor.


Nesse sentido, a encapsulação de tais substâncias se mostra como a solução ideal para garantir um sensorial agradável ao produto.


A proteção do ativo através da nanotecnologia proporciona a liberação controlada no alvo de ação, preserva o ingrediente da interação com o meio e com a fórmula, leva à melhor permeação, solubilidade e biodisponibilidade, e ainda assegura que o cheiro característico de algumas substâncias fique recluso dentro das partículas, possibilitando que a formulação seja perfumada sem influência do odor dos ativos.

Alguns ativos sensíveis, quando oxidam, além de perderem suas propriedades, também podem liberar um odor desagradável [1]. As nanopartículas protegem os ativos, mantendo a qualidade do cheiro do produto durante a produção, armazenamento e uso do produto final [2].


A proteção do ativo através da nanoencapsulação blinda os mesmos contra reações indesejadas com o meio e garante o controle de odor dos componentes da formulação cosmética devido às características oclusivas das nanopartículas.


Esse é o caso de ingredientes como a cisteamina, o extrato de cebola, a ureia, o extrato de caviar, o Dimetilaminoetanol Bitartarato (DMAE) possuem odor característico, além de estarem dentre ativos consagrados para cosméticos.


A cisteamina, um ativo moderno com diversos benefícios cosméticos apresenta problema de odor. O uso tópico da cisteamina proporciona ação despigmentante.


Esse ativo é uma molécula natural, segura e com efeitos antimutagênico, antimelanoma e anticarcinogênico comprovados [3]. Além disso, sua aplicação no tratamento de melasma e em desordens de hiperpigmentação na pele também são clinicamente comprovados [4].


A L-cisteamina é um antioxidante endógeno produzido durante o ciclo de metabolismo da coenzima A e está naturalmente presente em todas as células de mamíferos [3]. Sua atuação está relacionada à diminuição das espécies reativas de oxigênio, inibindo a produção de melanina pelos melanócitos. Apesar de sua importante aplicação biológica, a cisteamina possui propriedades organolépticas que podem limitar sua eficácia. Essa substância possui um gosto amargo e odor desagradável, apresenta instabilidade química, higroscopicidade e farmacocinética baixa (T1/2 = 1.75 h) [4].


Por ser instável quimicamente, a cisteamina é bastante suscetível à oxidação. Quando em contato com o ar ou com a formulação, esse ativo se degrada rapidamente à sua forma dissulfídica, a cistamina [4], que contém enxofre, responsável pelo odor desagradável.


A cistamina, sendo um composto tiol, tem um cheiro que dificulta seu uso tópico como agente despigmentante. Nesse sentido, a nanoencapsulação desse ativo é a solução para superar essas propriedades indesejáveis nas formulações dermocosméticas. A encapsulação em nanopartículas protege a cisteamina da oxidação, garante estabilidade química e a oclusão do odor desagradável. Estudos recentes comprovam que sistemas de encapsulação removem o cheiro da cisteamina e melhoram sua estabilidade [4], proporcionando eficácia e a entrega de todos os seus benefícios para uma formulação cosmética de alta performance.


O DMAE é um ativo constituído de Dimetilaminoetanol Bitartarato encapsulado em nanopartículas biopoliméricas e com gatilho de liberação enzimático (Nanovetor DMAE). A tecnologia de encapsulação garante multifuncionalidade e liberação prolongada do ativo encapsulado, que ocorre até 12 horas após a aplicação do produto.


O DMAE é uma substância nutricional encontrada em peixes como anchova, sardinha e salmão. É utilizado para combater a flacidez, diminuir as rugas finas e promover efeito tensor na pele. É um ativo que melhora a aparência geral da pele, com efeitos imediatos (lifting) e em longo prazo. O DMAE é considerado um análogo da colina, responsável por aumentar a síntese da acetilcolina no sistema central e na derme [5, 6, 7].


O DMAE livre possui um odor desagradável característico das aminas [8]. A encapsulação do ativo permite a redução do odor, permitindo a perfumação da formulação com a fragrância desejada. O NV DMAE possui ação antiaging, reduz as rugas e promove um aumento de firmeza cutânea.


Outro ativo com muitas características interessantes para cosméticos, bastante eficiente em tratamento capilar é o extrato de cebola que é rico em enxofre. O enxofre também apresenta odor específico e desagradável, podendo ser ocluído através da nanoencapsulação.


O Allium Cepa L., comumente conhecido como cebola, é membro da família Liliaceae, e entre os fitoquímicos contidos na cebola podemos destacar os flavonóides, saponinas (ceposideos), frutanos, vitaminas B1, B2, B6, C e E, biotina e compostos organossulfurados, considerados ativos importantes para a sua atividade antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana.


O extrato de cebola Allium Cepa L., de fato, é conhecido por conter uma grande quantidade de flavonóis, na maioria derivados de glicose de Quercetina e Kampferol, poderosos antioxidantes. Esses ativos apresentam funções bioquímicas muito diversas: intervêm na função imune, atividades enzimáticas, agregação de plaquetas e metabolismo de colágeno, fosfolipídios e histamina [9].


Bulbos de cebola contêm frutose, carboidratos solúveis em água, glicose, sacarose, frutooligossacarídeos (FOS) e frutanos constituindo 60-80% do peso seco. Os FOS não são apenas reservas de energia, mas também atuam como osmorreguladores capazes de reter grandes quantidades de água, mantendo a hidratação e o equilíbrio da barreira cutânea e cabelos [10, 11].


Estudos demostraram que o extrato de cebola tem efeito terapêutico na alopecia areata, essa atividade pode ser atribuída ao estímulo do crescimento do cabelo por meio de competição antigênica, reduzindo de citocinas inflamatórias no folículo capilar [12].


O extrato também se demonstrou eficaz na melhora da aparência de cicatrizes hipertróficas, conhecidas com queloide, caracterizadas por proliferação excessiva de tecido dérmico após longos períodos e por inflamação persistente e fibrose [13]. As propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes do extrato de cebola, torna-o um excelente aliado na proteção da pele e cabelos contra os raios UV e poluição, promovendo a regeneração de tecidos [14, 15].


É bom lembrar que a nanotecnologia revolucionou a indústria cosmética com a encapsulação de ingredientes ativos em nanopartículas, entregando melhores resultados e maior eficácia.

A tecnologia de nanoencapsulação otimiza as formulações dermocosméticas e o sensorial do produto final. Além de todos os benefícios associados à proteção de ativos, as nanopartículas também garantem oclusão de odores, uma propriedade extremamente importante, principalmente quando as substâncias da formulação apresentam odores desagradáveis, como é o caso do DMAE e da cisteamina, ingredientes ativos muito utilizado em produtos para cuidados com a pele.


A encapsulação deste tipo de ativo proporciona a possibilidade de formular o produto cosmético com mais facilidade e com o aroma desejado, fator importante para a melhor aceitabilidade de uso.


Otimize seu tempo de formulação com a assertividade utilizando ingredientes ativos nanoencapsulados e proporcione ao seu cliente uma experiência de uso irresistível.

REFERÊNCIAS

Retirado do artigo: Redução de odor: como a nanotecnologia pode viabilizar o uso de ativos com odor desagradável. Autoras: Dra. Betina Giehl Zanetti Ramos, Dra. Lara Martholly di Martosb, Dra. Ledilege Cucco Portoc , Jocelane Zoldand.


1. FERREIRA, C. D.; NUNES, I. L. Oil nanoencapsulation: development, application, and in corporation into the food market. Nanoscale Research Letters, [S.L.], v. 14, n. 1, n.p., 7 jan. 2019. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1186/s11671- 018-2829-2. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1186/s11671-018-2829- 2#citeas. Acesso em: 17 ago. 2020.


2. RAHMAN, U. ur.; et al. 4 - Design of Nanoparticles for Future Beverage Industry. In: GRUMEZESCU, Alexandru Mihai et al (ed.). Nanoengineering in the Beverage Industry. [S.I.]: Elsevier Inc., 2020. p. 1-490.


3. KASRAEE, B.; MANSOURI, P.; FARSHI, S.. Significant therapeutic response to cysteamine cream in a melasma patient resistant to Kligman's formula. Journal Of Cosmeti c Dermatology, [S.L.], v. 18, n. 1, p. 293-295, 11 dez. 2018. Wiley. http://dx.doi.org/10.1111/jocd.12837.


4. ATALLAH, C.; CHARCOSSET, C.; GREIGEGERGES, H.. Challenges for cysteamine stabilization, quantification, a nd biological effects improvement. Journal Of Pharmaceutical Analys is, [S.L.], mar. 2020. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.jpha.2020.03.007.


5. FIORINI, D. et al. Dimetilaminoetanol – DMAE: uma revisão bibliográfica. Infarma - Ciências Farmacêticas. 20 (5/6): 17-20, 2008.


6. PERRICONE , N. O guia para ter a pele mais jovem. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.


7. REBELLO, T. Guia de produtos cosméticos. 6 ed. São Paulo: Senac São Paulo, 2006.


8. DECCACHE, D.S. Formulação dermocosmética contendo DMAE glicolato. 2006.153 f. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.


9. ALBISHIA, T. Antioxidative phenolic constituents of skins of onion varieties and their activities. Journal of functional foods, 5, 1191 – 1203, 2013.


10. DOWNES, K. A new acetonitrile-free mobile phase method for LC–ELSD quantification of fructooligosaccharides in onion (Allium cepa L.) Talanta 82, 118–124, 2010.


11. Y.-L. MA et al. Antioxidant and antibacterial evaluation of polysaccharides sequentially extracted from onion (Allium cepa L.) International Journal of Biological Macromolecules 111 (2018) 92–101.


12. KHALIFA, E. Onion Juice (Allium cepa L.), A New Topical Treatment for Alopecia Areata. The Journal of Dermatology 29: 343–346, 2002.


13. KARAGOZ, H. Comparison of efficacy of silicone gel, silicone gel sheeting, and topical onion extract including heparin and allantoin for the treatment of postburn hypertrophic scars. Burns 35,1097–1103, 2009.


14. GEORGE, D. et al. Synergic formulation of onion peel quercetin loaded chitosan-cellulose hydrogel with green zinc oxide nanoparticles towards controlled release, biocompatibility, antimicrobial and anticancer activity. International Journal of Biological Macromolecules 132, 784–794, 2019.


15. HATAHET, T. et al. Quercetin topical application, from conventional dosage forms to nanodosage forms. European Journal of Pharmaceutics and Biopharmaceutics 108, 41–53, 2016.