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Ativos consagrados como antiaging sem a preocupação com o odor


Cuidados pessoais somados à preocupação de preservação ao meio ambiente sugerem o uso de ingredientes altamente eficazes que proporcionem sensorial confortável garantindo resultados rápidos. Como obter esse tipo de cosmético, já que a formulação desses ingredientes representa um grande desafio?


Com as atenções voltadas para a saúde e cuidado pessoal a busca por produtos eficazes e de resultados rápidos tem aumentado. Cresceu também a preocupação com o meio ambiente, longevidade e qualidade de vida. Após esse tempo de reclusão esses fatores passaram a ser prioridade no dia a dia das pessoas.


Pensando em todos esses atributos a indústria cosmética tem sido desafiada a desenvolver produtos mais seguros, eficazes, multifuncionais que garantam resultados rápidos e melhor experiência sensorial.


Para chegar a esse resultado, os formuladores enfrentam vários desafios, pois grande parte dos ingredientes têm características específicas tais como baixa solubilidade, sensibilidade a fatores externos e até mesmo o odor peculiar de algumas substâncias, que podem torná-las difíceis de serem incorporados em produtos cosméticos de forma satisfatória.


Formular com óleos essenciais e ativos do grupo das aminas, como o dimetilaminoetanol (DMAE) e a cisteamina por exemplo, na forma livre influencia diretamente na aceitabilidade do produto final. Nesse sentido, a nanotecnologia se apresenta como solução para a formulação de produtos dermocosméticos que atendam às expectativas dos consumidores finais e formuladores.


A maioria dos ingredientes ativos naturais são compostos instáveis que podem sofrer reações que levam à diminuição ou perda de eficácia no produto final. Nesse sentido, a tecnologia de nanoencapsulação se apresenta como solução para melhorar o desempenho dos produtos dermocosméticos e sua aceitação pelo consumidor [1].


As nanopartículas são utilizadas para proteger ativos sensíveis, reduzir odores indesejáveis, evitar incompatibilidades entre os ingredientes da formulação [1] e tornar os ingredientes fáceis de formular, eficazes e com um sensorial agradável para o consumidor final.


A nanoencapsulação de ativos sensíveis e com características específicas, que podem afetar a fórmula cosmética, é a alternativa ideal para melhor performance dos ingredientes no produto dermocosmético.


A oclusão e liberação dos ativos, o comportamento das nanopartículas na pele, cabelo ou unhas, bem como a otimização das propriedades físico-químicas e sensoriais [2] dos ingredientes impactam na efetividade dos mesmos. E para melhorar os atributos sensoriais dos ingredientes ativos, a oclusão em nanopartículas faz com que a textura e odor na formulação final possam ser otimizados de acordo com a proposta da fórmula cosmética.


A encapsulação do dimetilaminoetanol (DMAE) exemplifica muito bem como a proteção do ativo em nanopartículas permite a oclusão de odores característicos e desagradáveis. O DMAE é uma substância encontrada em peixes como anchova, sardinha e salmão, é derivado do grupo das aminas e possui cheiro característico desse grupo, o que o torna complexo de formular devido ao odor desagradável. A nanoencapsulação desse ativo proporciona a liberdade de formular o produto com a fragrância desejada e garantindo conforto de uso.


Óleos Essenciais também costumam ter odores bastante característicos das plantas das quais são extraídos, o que pode interferir na aceitabilidade do produto final. Mas com a nanoencapsulação, essa limitação é sobreposta devido à oclusão de odores facilitada pelas nanopartículas.


Outro ativo favorecido pela nanoencapsulação é a cisteamina, um antioxidante muito eficaz na redução de melasma e desordens de hiperpigmentação da pele, ao diminuir a produção de melanina pelos melanócitos. A maior limitação da cisteamina é sua formulação para uso tópico. Suas propriedades físico-químicas interferem diretamente na estabilidade dessa substância. A cisteamina é altamente solúvel em água e “possui um odor muito forte, característico da molécula de enxofre presente, o que dificulta seu uso como despigmentante” [3]. Assim, a encapsulação da cisteamina em nanopartículas sobrepõe as limitações de formulação do ativo para uso tópico e garante um produto final com maior conforto de uso ao ocluir o odor desagradável.


Portanto, a proteção dos ingredientes ativos através da encapsulação em nanopartículas permite a oclusão do odor característico de alguns ativos e maior eficácia para formulação e sensorial do produto cosmético. Além do mais, a alta permeação, entrega o ativo no alvo de ação, garantindo rapidez nos resultados e maior satisfação do consumidor final.

Referências

Texto baseado no artigo: Redução de odor: como a nanotecnologia pode viabilizar o uso de ativos com odor desagradável. Autoras: Dra. Betina Giehl Zanetti Ramosa , Dra. Lara Martholly di Martosb, Dra. Ledilege Cucco Portoc , Jocelane Zoldan.


1. DAUDT, R. M.; et al. A nanotecnologia como estratégia para o desenvolvimento de cosméticos. Ciência e Cultura, [S.L.], v. 65, n. 3, p. 4 28-31, jul. 2013. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.21800/s0009- 67252013000300011. Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S 0009-67252013000300011&lng=pt&tlng=pt. Acesso em: 14 ago. 2020.


2. SILVA, S. B. da; et al. 12 - A Step Forward on Micro- and Nanotechnology in Beverage Industry. In: GRUMEZESCU, Alexandru Mihai; HOLBAN, Alina Maria. Nanoengineering in the Beverage Industry: volume 20: the science of beverages. [S.I.]: Elsevier Inc., 2020. p. 1-490.


3. COSTA, Franciely Vanessa; et al.. Resposta terapêutica da cisteamina no tratamento do melasma. Research, Society And Development, [S.L.], v. 9, n. 6, 15 abr. 2020. Research, Society and Development. http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v9i6.3468.

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